quinta-feira, 8 de outubro de 2009

OS CÁTAROS


Muito se tem ouvido falar sobre OS CATÁROS ou ALBIGENSES, sem, contudo, saber-se o que significam exatamente tais termos.

A palavra “ Cátaro”, que significa “ puro”, foi utilizada pela primeira vez no ano de 1030 DC, para denominar um grupo de pessoas da cidade de Montefeltro, na Itália; a palavra “Albigenses” era utilizada para denominar um grupo de pessoas residentes na cidade de Albi, também na Itália.

Eram – todos – cristãos, mas que professavam crenças não aceitas pela Igreja de Roma. Discordavam da Igreja cristã de Roma, pois tinham como Doutrina a GNOSE do tipo ASCÉTICO, derivada do MANIQUEISMO. O Maniqueísmo, doutrina proposta por Manes Mani, com evidentes bases retiradas do Zoroatrismo, foi um grande movimento esotérico da Igreja Cristã primitiva.

Os Cátaros acreditavam em um Deus único, tendo ele criado todas as coisas de forma dual;acreditavam na reencarnação e praticavam uma moral rígida, devendo evitar todo tipo de pecado. Chamavam-se, a si próprios, de “Os Perfeitos”. Não acreditavam na presença de Cristo na Hóstia. O Papa Inocêncio III não poderia admitir tais “heresias” e lançou, dessarte, contra os Catáros, um anátema fulminante.

Embora o catarismo fosse bastante difundido na Itália, foi na França, na região de Carcassone, onde se falava a LANGUEDOC, que o catarismo foi mais intenso.

Os combates entre as forças do Papa e os Cátaros se iniciam; na França, no Castelo de Montségur, os Cátaros resistem bravamente. Raymond de Perelle, Conde de Foix, Castelão de Montségur, resiste a todos os ataques.

Em março de 1243 parte a expedição punitiva final, sob o comando de Huges d’Arcis, Senescal de Carcassonne, tendo ao seu lado Pedro Amiel, Arcebispo de Narbonne e Durand, Bispo de Albi. Os Cátaros resistem;o Castelo de Montségur é sitiado; surge, então, a figura de uma das filhas de Raymond de Perelle. ESCLARMONDE DE FOIX, que, com bravura inaudita, incita os Cátaros à resistência.

Em 1244 cai a Fortaleza rebelde. No dia 16 de março de 1244, todos os sobreviventes são queimados, ao lado das ruínas de Montségur. Duzentos Cátaros, dentre homens, mulheres e crianças, são lançados à fogueira. Oficialmente, o Cátarismo terminou aí, sendo certo, contudo, que continuou a existir na Europa, mas, subpreticiamente.

Passemos, agora, ao ano de 1968DC, em uma pequena cidade, próxima à cidade de Bristol, na Inglaterra: por puro acaso, se bem que saibamos que o acaso não existe, um médico que havia anos dedicava-se a estudos esotéricos intensos – Arthur Guirdham – vem a conhecer uma moça do local; uma moça simples, sem dotes de erudição. Chamava-se ela Senhorita Mills. Pela sua espontaneidade e pureza,o médico e sua esposa simpatizam imediatamente com ela. Nasce daí uma grande amizade. Certo dia, a Senhorita Mills perguntou ao Dr Guirdham o que significavam as palavras “Raymond” e “Albigenses”, pois tais palavras lhes vinham, continuamente à consciência. Esclareceu que lia muito pouco, afastando-se de imediato a hipótese de tê-las lido em algum livro. Ela não se interessava por nenhum assunto histórico ou parapsicológico, mas acreditava na reencarnação. Fazia anos, tinha sonhos que a aterrorizavam. Em um dos sonhos, fugia de um Castelo Medieval, situado sobre um monte; em outro, via-se descalça, sobre um tablado de madeira coberto de lenha, que, em certo momento, transformava-se em uma fogueira. À sua volta, entre as chamas, via uma multidão de pessoas.

Um dia, pediu a Arthur para que lhe examinasse o flanco, posto que sentia fortes dores, que imaginava serem musculares. Arthur, ao examiná-la, percebeu estupefato no flanco da moça, sinais de queimaduras, como se recentes, mas secas e solidificadas. Disse-lhe então que tais cicatrizes, a seu ver, tinham relação com os seus sonhos com a fogueira. A Srta. Mills respondeu-lhe que durante uma breve viagem que fizera à França, sentiu-se inclinada, sem explicação aparente, a sair do trajeto inicial para visitar uma localidade denominada Carcassonne; ao ver o local, sentiu prazer, mas, ao mesmo tempo, sentiu angustia.

Note-se que, àquela altura, a Srta. Mills ignorava completamente o que fosse o catarismo e a sua tragédia. A partir daquela conversa com Arthur, a Srta. Mills passou a encontrar, quase todos os dias, ao acordar, em um bloco de papel que mantinha sobre o criado-mudo, estranhas ‘mensagens’ de cunho esotérico ou filosófico. Demorou para compreender e acreditar que ela as tivesse escrito durante o sono; a caligrafia era incerta, mas, inequivocamente, a sua. Embora ignorasse História antiga, começava a ter lembranças da Idade Média, e, principalmente, da Língua d’Oc. Posteriormente, nas anotações, surgiram nomes e localidades italianas:Sorano, Desenzano, Brescia, Treviso, Trogir. Surgiu também uma palavra:NIKOLASKI. Descobriu-se que Nicolaski era o nome que os Maniqueístas da Bósnia haviam usado para denominar o Evangelho Eslavo. A cidade de Trogir fora um importante centro dos naniqueístas, quando vieram da Bulgária para a Itália, onde fixaram-se em Albi, tomando o nome de “Albigenses”.

Certo dia, a Srta. Mills encontrou em suas anotações o seguinte: Sol, não – Tesouros, não. Livros, sim – Raymond.

Foi ao Dr. Arthur pedir esclarecimentos; deu-lhe ele a seguinte interpretação:Raymond devia ser Raymond de Perelle, Conde de Foix, Castelão de Monstségur, quando os Cátaros haviam resistido aos exércitos enviados para exterminá-los. “Sol,não” devia ser o repudio à idéia difundida de que o Castelo de MOntségur teria sido dedicado, pelos Druidas, ao culto solar. “Tesouro, não – Livros, sim”. A frase contradizia uma crença em que quatro Cátaros haviam sido depositários de um tesouro, escondido no Castelo. O tesouro consistia em valiosos livros, e não em ouro ou jóias.

Passados alguns meses, a Srta. Mills pergunta a Arthur por qual razão as datas de 14 e 16 de março lhe incutiam terror. Aos 3 de março vê outra mensagem em seu bloco de anotações:” Sorba, Sicília, Sibilia, Jean de Cambiaire, evêque.” O que deixou o Dr Arthur pasmo foi o acento circunflexo sobre a palavra “evêque”: a Sra. Mills, ignorando completamente a língua francesa, não poderia saber a acentuação correta!!!

Surgiram posteriormente, outros nomes:Sorba, Philipa, Arpais. Passou Arthur a pesquisá-los. Corba, e não Sorba, como estava escrito, fora esposa de Raymond de Perelle, Conde de Foix;Philipa, Arpais e Esclarmonde eram suas três filhas, sendo que Esclarmonde morrera queimada, juntamente com a mãe e a avó, na fogueira de Montségur.

No dia 16 de Março a Srta. Mills veio queixar-se a Arthur de dores nos pulsos e nos ombros; lembrava-se também, das datas de 2 e 14 de março. Arthur consultou, então, a maior autoridade em História Cátara; o Professos francês DUVERNOY. Soube então que, antes do ultimo ataque a Montségur, houve uma trégua que durou duas semanas; tal trégua começou no dia 2 de março e terminou no dia 14 de março.Para Arthur estava claro, inquestionavelmente, que a Srta. Mills fora cátara e queimada nas chamas, em Montségur.

Estudando os livros do Professor Duvernoy, soube que os Cátaros haviam sido levados à morte com os pulsos unidos, atrás das costas, por correntes de ferro. A Srta. Mills, repentinamente lembrou-se de tudo: ela fora ESCLARMONDE DE FOIX, terceira filha de Raymonde de Perelle. Encontrou, em seu bloco de anotações,o seguinte: 16 de março de 1244. Três gerações de mulheres. Tal fato adequava-se à realidade histórica, se bem que a Srta. Mills, nunca houvesse estudado História antiga ou os Cátaros. Realmente, na fogueira, tinham morrido, ela – Esclarmonde – sua mãe e sua avó, a Marquesa de Lantar.

Arthur descobriu que Esclarmonde tivera poderes de cura. Subitamente, sem que tais fatos tivessem sido noticiados, a Srta. Mills viu-se procurada por doentes; começou a sentir formigamento nos dedos das mãos e calor; todos os doentes melhoravam após contatos com suas mãos.

Nessa época, ela reencontrou uma velha amiga de infância, que, recentemente, enviuvara: Betty. Betty, ao viajar para a França, fora ao castelo de Montségur e, sem saber por que, sentiu uma sensação de felicidade, como se, assim disse mais tarde, “ tivesse voltado para casa”. Betty passou pela transição alguns meses após voltar para a Inglaterra. Sua mãe entrou em contato com a Srta. Mills, mostrando-lhe anotações que encontrara, de Betty, sobre sua viagem à França, mais exatamente na região de Saint Papoul. Uma das anotações era:Oh, Roger, Roger, Roger! Na prisão de Saint Papoul morrera um cátaro:Roger-Isarn!!!

Na noite de 16 de março de 1972, o Dr Arthur Guirdham sentiu-se muito mal;falatava-lhe o ar, como se não conseguisse respirar. Tal fato deu-lhe a certeza de que ele também fora um dos duzentos Cátaros queimados em Montségur. No dia seguinte, soube que a Srta. Mills tivera sensação semelhante. Após intensos estudos, Arthur chegou a conclusão de que ele fora Roger-Isarn de Fanjeaux e de que a Srta Mills fora Esclarmonde de Foix.

Arthur Guirdham narraria estes fatos, posteriormente, em um livro intitulado: WE ARE ONE ANOTHER.

[Texto de Gabriel César Z. de Inellas]

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