quinta-feira, 22 de outubro de 2009

HAJA LUZ!



“No principio era o Verbo, e o verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio Dele e sem Ele nada foi feito. O que foi feito Nele era a vida, a vida era a Luz dos homens; e a Luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam”. [Bíblia de Jerusalém – Cap. 1 do Ev. Seg. são João].

Todo místico, necessariamente, e o ser humano em geral se perguntam sobre a origem do homem e sua evolução até nossos dias.

A literatura mística é vasta neste sentido e apresenta gama enorme de teorias;algumas recebem e outras não sustentação nos chamados princípios científicos. Não nos cabe examinar a consistência de cada uma!

A ciência moderna teoriza sobre o mesmo assunto e formula equações matemáticas que pretendem comprovar tais teses.

Ora, de acordo com os critérios científicos contemporâneos nada pode ser garantido quanto a origem e evolução do homem;isto vale para cientistas e místicos. Costumamos, assim, admitir a tese mais aceita!

Se nos dermos ao trabalho de examinar o material disponível, verificaremos que a principal preocupação do homem, neste sentido, tem sido desvendar o mistério de seu corpo físico; a origem e evolução do ser físico do homem. A consciência, neste contexto, tem apenas sido um ingrediente, um detalhe.

Em que momento de sua evolução o homem adquiriu consciência? Quando o Verbo se fez carne e a Luz brilhou nas trevas?

O homem [ser humano: homem e mulher] é um ser complexo, misto de entidade material, herdeiro de uma carga genética que o arrasta e entidade espiritual, depositário do conhecimento eterno desde todas as origens, por herança.

Como ser imortal o homem tem reexperimentado a vida material [pela reencarnação] e provocado grandes transformações; a cada dia o ser recria a vida num eterno renascimento. Numa manifestação cíclica, a historia se repete em novos momentos como se uma hoste de seres devesse experimentar a experiência que outros já possuem. É o milagre da vida que se repete na inexorável necessidade de criar e experimentar!

Reflitamos sobre a organização da vida do homem, rapidamente, à luz do conhecimento místico e cientifico mais atual.

EVOLUÇÃO E INVOLUÇÃO
Tudo no universo é energia. Energia significa, movimento, que significa mudança, que significa evolução e involução.

Evolução, em tudo, inicia quando se manifesta o impulso inicial de uma nova ordem ou um propósito mais elevado. Inicia com a percepção de um estado ACIMA daquele já existente, tanto na matéria quanto na mente.

Da mesma forma e no sentido inverso, a involução, em tudo inicia quando se completa a mais elevada forma de expressão ou manifestação no propósito de sua respectiva evolução.

É um ciclo sem repouso:”O momento seguinte da evolução é a involução e desta, novamente a evolução”, num eterno recriar ...

Neste sentido a matéria está evoluindo e aspirando à forma que há de sustentar a vida; tal forma vital permanece evoluindo no sentido daquele organismo mais complexo que, como veículo da Alma, sustente e manifeste a consciência, o que implicará em algum tempo em autoconsciência, ou seja, um ser semelhante ao humano.

Da mesma forma, a própria consciência está evoluindo no sentido de algo ainda mais elevado, a superconsciência cósmica. Em verdade a vida é contínua, através da matéria e da mente, e o corpo humano atua como um catalizador da bioenergia [energia de vida], da mesma forma que a mente. A influência é recíproca entre a energia, o corpo e a mente, sempre num sentido de evolução: tudo é energia!

A energia que se constitui o universo vibra em seu próprio ritmo. Assim, a causa de impulsos ou impressões é vibratória;portanto, o efeito dessas mesmas vibrações é, por sua vez, vibração. Todas as vibrações recebidas pela mente provocam seu efeito especifico, segundo o GRAU DE ATENÇÃO com que as recebemos. Como atributo da Alma a consciência é o aspecto mental da vida, incluindo em seu contexto o raciocínio, a realização e a sensação, de que são forças e causais a imaginação, a aspiração e a inspiração.

Alguém afirmo que “se conhecêssemos nossa própria consciência, conheceríamos os princípios da vida”. Os místicos afirmam ser impossível alcançar o conhecimento pleno de forma exclusivamente intelectual. Os grandes luminares da humanidade, como Einstein, por exemplo, afirmam que sua sabedoria foi resultado de “inspiração”, ou intuição. Confirmando este princípio afirmamos que o autoconhecimento proporcionará a revelação da superconsciência, ou consciência cósmica, segundo o nosso entendimento, a nossa compaixão, o nosso amor.

O que é e Como Ocorre a Consciência
Consciência é o sentimento do que em nós se passa, é o testemunho ou julgamento secreto da alma que aprova ou não as ações individuais. No sentido rigorosamente místico é o aspecto mental da vida, é o centro da vida do homem – “equilibrado entre dois mundos e aberto, naturalmente, a ambos”. É um atributo da Alma.

É a consciência o momento entre o mundano e o cósmico, tem memória do mundano e “é profética em relação ao momento seguinte ou futuro”. E isto porque o “futuro” está passando continuamente pela consciência e tornando-se passado.

Mas a consciência é um espectador, não participa do tempo.

E esta capacidade “profética” do ser humano permite sua interferência no futuro, alterando a consecução de novas causas e novos efeitos, exceto as originais.

Isto é possível em virtude de a memória permitir à consciência transportar-se para o passado e, à imaginação, sentir, antecipar, projetar-se para o que há de ser. Ainda que não absolutamente distintas estas duas funções, não concluamos que a memória seja a única base da imaginação! “É principalmente por meio da imaginação e não tanto da memória que o EU é revelado ao eu”, e que nos tornamos capazes de reconhecer, por toda a consciência, certa mudança que identificamos como evolução. “E será aspirando entrar em contato com essa imaginação criadora de Deus que nos tornaremos inspirados e criaremos aquilo que se realizará em serviço prestado à humanidade”.

Assim sendo, concluímos naturalmente que todas as ações iniciam na essência invisível do corpo e terminam em suas partes mais grosseiras. Estas, são as últimas a serem afetadas, em todos os sentidos! Isto é verdade no que se refere a toda a natureza!

No que se refere ao mundo material, a consciência utiliza os sentidos para tomar conhecimento [a intuição atua noutra freqüência]. Os sentidos são imperfeitos, limitados, proporcionam distorções. A solução para a grande questão da inconfiabilidade dos sentidos é uma só: para que o homem conheça toda a verdade, sobre todas as coisas, deverá aprender a derivar o conhecimento através da mente cósmica, superconsciência ou consciência cósmica e não através da mente material, apenas. Este é o motivo da transmutação a que a vida se propõe. A consciência não se limita na mente nem está num determinado ponto, exclusivamente. Assim como a mente e a consciência penetram todo o corpo, penetram também todo o espaço fora do corpo.

De forma ainda mais abrangente, a consciência cósmica ou superconsciência está difusa por todo o espaço e, o que é da maior importância, penetra a consciência da mente do homem e está constantemente em contato com a mesma, sendo veículo de contato e manifestação.

Relatividade da Existência

Tudo é relativo na existência do homem e do universo. Dois observadores de um mesmo fato ou objeto dificilmente obterão os mesmos resultados.

O mundo físico não passa de “uma ilusão concentrada”, “MAYA” para os hindus; a matéria de fato não existe. Tudo é energia! O pensamento tem o mesmo valor da ação e a morte é o mesmo que a vida!

“O tempo é uma criação psicológica do intelecto humano” – é a duração da consciência;o tempo real não existe. Em física quântica afirma-se que um milionésimo de segundo e 100 bilhões de anos são a mesma coisa se não houve um observador contando o tempo relativo que passa relativamente.

Em última análise “o mundo subatômico não tem estrutura independente e definida”; é necessário que a consciência o defina para que tome forma. “O universo só existe porque é observado”.

A matéria como a compreendemos é um estado especial da energia; a vida é um detalhe, “uma sintonia fina da matéria, que atinge sua razão pela consciência”.

Isto não é apenas a opinião milenar dos místicos, é o resultado sintético da ciência moderna. Não é apenas um sonho, é a probabilidade matemática que a consciência inspirou.

Resumo Místico da Criação
Com base nas reflexões que estudamos acima, podemos afirmar que o homem adquiriu consciência quando sua evolução dual proporcionou os meios. De alguma forma podemos conceber que o homem possuiu consciência antes de sua manifestação material, e mesmo então, certa forma de consciência sempre existiu.

Respondida a primeira pergunta resta a segunda, complemento da anterior: quando o Verbo se fez carne e a Luz brilhou nas trevas?

Na verdade a resposta já foi dada, mas ouçamos uma alegoria mística como última conclusão.

O Ser experimenta o fruto da “árvore proibida”, a consciência, e se torna conhecedor do bem e do mal [relativos], elevando-se à condição de um deus diante da criação. Experimenta então a primeira morte, sujeitando-se aos eternos ciclos da vida. Padece como o grão de trigo ressurgido para uma vida de conquistas e derrotas, de luz e de trevas, de ignorância e conhecimento. ‘AISHÁ’, a Alma do homem, abandona a sua existência perene para enfrentar a luta brutal e amorosa da existência de Maya, a ilusão. Os poderes do universo foram abalados!

Do úmido surge o seco pela ação de ARDAREL, o SENHOR DAS CHAMAS. AISHÁ nada, rasteja, caminha e voa... abre suas asas em busca da maestria! Provou o doce amargo do cálice das amarguras, mas venceu o mundo, pois não sendo deste mundo está no Pai como o Pai está em AISHÁ. Rasga, então, os “VÉUS DE ÍSIS” e redescobre que sua origem é Deus, que ela própria é Deus, e que seu objetivo final é o si mesmo...E a luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a apreenderam. AISHÁ, a quem estava reservada a segunda morte, descobre a Nova Jerusalém e reconquista a eternidade!

É esta a história de todas as coisas.

É esta a tua história que escreves a cada dia!.
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[Texto de Alexandre M. Camargo]





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