terça-feira, 25 de agosto de 2009

Quem são os “Cavaleiros Templários”?




Os Cavaleiros Templários foram um desenvolvimento natural das Cruzadas da Idade Média.

Como é de conhecimento geral, as Cruzadas foram uma série de expedições à Síria e a Palestina, esta ultima denominada Terra Santa.

As cruzadas consistiam de ‘ devotos e intrépidos cavaleiros’, bem como clérigos, soldados e simples camponeses. Seu intuito era de libertar ou recuperar a Terra Santa, a terra natal do Cristo, daqueles que os cruzados chamavam de ‘ turcos infiéis ‘.
Nesse particular no período, o cristianismo ocidental significava a Igreja Católica Romana: não havia outras seitas cristãs.

Todas as outras religiões ou crenças eram não-cristãs; conseqüentemente, em conformidade com a intolerância que então prevalecia, eram elas pagãs e, seus seguidores, infiéis. No sentido literal, pagão é o individuo que não reconhece o Deus da revelação. Todavia um pagão não é necessariamente ateu. Mas, na opinião dos cristãos daquela época ( e de muitos cristãos dos nossos dias) uma pessoa devota que conceba Deus no sentido panteístico, ou como uma consciência universal, é não obstante pagã. Com toda certeza, todos os não-cristãos eram assim considerados.

Parecia irreverente, um sacrilégio, para os cristãos, que locais relacionados com o nascimento e a vida do Cristo estivessem sob domínio de alguma autoridade não-cristã. Pequenos bandos de peregrinos, durante anos antes das Cruzadas, haviam viajado para a Palestina, com o fim de visitar os santuários. Em sua devoção e primitiva crença, imaginavam que tais visitas lhes trariam uma graça espiritual, assegurando-lhes bênçãos especiais no outro mundo.

Atravessavam eles regiões agrestes, onde praticamente não havia lei e ordem. E punham em risco a sua segurança, viajando principalmente a pé. Em conseqüência, eram assaltados, roubados e mortos por bandidos que os atacavam. Esses fatos chegaram ao conhecimento da Europa Ocidental e da cristandade e tornaram-se o incentivo para as Cruzadas.

Durante os séculos doze a treze, cada geração formou pelo menos um grande exercito de cruzados. Além desses enormes exércitos, que as vezes chegava a trezentos mil homens, havia ‘pequenos bandos de peregrinos ou soldados da Cruz’.

Durante aproximadamente duzentos anos, houve um fluxo quase continuo de reis, príncipes, nobres, cavaleiros, clérigos, e gente do povo, da Inglaterra, da França, da Alemanha, da Espanha e da Itália para a Ásia Menor. Ostensivamente, essas migrações tinham fins religiosos, levando consigo, como já dissemos, muitos aventureiros, cujo objetivo era explorar. Assassinos e ladrões, viajavam para a Terra Santa e roubavam, pilhavam e violavam mulheres.

Os mulçumanos, devotos e respeitadores da Lei, cuja cultura era superior à da Europa, na época, ficavam chocados com a conduta desses ‘ cristãos’. Era de se esperar que protegessem as suas famílias e propriedades desses saqueadores religiosos. Assim, por sua vez. Matavam os peregrinos ou os expulsavam. Sem duvida, muitos peregrinos inocentes perderam a vida por causa da reputação criada pela conduta de alguns de seus companheiros. Os povos não-cristãos do Oriente Próximo não podiam distinguir os peregrinos que tinham nobres propósitos daqueles cujos objetivos eram perversos.

A PRIMEIRA CRUZADA
Tomando conhecimento desta situação, o Papa Urbano II, em 1905, em Clermont, França, exortou o povo a iniciar a primeira grande Cruzada. Conclamou os cavaleiros e nobres feudais a cessarem a guerra que travavam entre si e socorrerem os cristãos que viviam no Oriente. “ Tomai a estrada par o Santo Sepulcro; arrebatai a região à raça perversa e sujeitai-a ao vosso domínio”. Consta que, quando o Papa terminou de falar, a vasta multidão que o escutava clamou quase em uníssono: ‘ É a vontade de Deus’ ! Esta frase tornou-se depois o grito de guerra da heterogênea massa que formou o exercito da Cruzada. Aqueles homens estavam convictos de que estavam obedecendo à vontade de Deus, de modo que brutalidade, assassínio, estupro e pilhagem, nas terras do Oriente, estavam justificados por sua missão.

Era impossível aqueles milhares de homens levarem consigo alimento suficiente para a viagem, visto que esta durava vários meses, em condições muito difíceis. Portanto, eram eles obrigados a buscar sustento nas terras que invadiam. Muitas pessoas inocentes do Oriente, não-cristãs, eram assassinadas, seu gado lhes era tomado e suas casas saqueadas, para o sustento dos cruzados, que sobre elas se abatiam como nuvens de gafanhotos. Naturalmente, a retaliação vinha rápida e violenta. Muitos cruzados foram mortos pelos húngaros, que reagiram para se proteger contra a depredação causada pelas hordas que passavam por sua região.

O espírito da avareza ou cobiça aproveitou-se das circunstâncias. Muitos cruzados procuravam seguir para a Palestina e aa Síria por mar, a fim de evitar a viagem mais longa, toda feita por terra. Ricos mercadores das prosperas cidades de Veneza e Genova, tramaram conceder aos cruzados ‘ livre ’ passagem para a Síria e a Palestina, mas exigiam dos peregrinos o compromisso de exclusividade de comercio de qualquer cidade por eles conquistada. Isto permitiria a esses mercadores ocidentais manter centros comerciais no Oriente, obtendo então os excelentes produtos do seu artesanato. As jóias, as cerâmicas, a seda, a especiaria, a mobília e os bordados do Oriente eram superiores a tudo que se produzia na Europa Ocidental na época.

Das Cruzadas emergiram muitas curiosas ordens religiosas e militares. Duas das mais importantes foram os Hospitalários e os Templários.
Estas ordens ‘ combinavam dois interesses dominantes na época, o monge e o soldado’. Durante a primeira Cruzada foi formada uma associação monástica, a ordem conhecida como os Hospitalarios. Seu objetivo era de socorrer os pobres e enfermos dentre os peregrinos que viajavam para o Oriente.


CRUZ DE MALTA: O EMBLEMAPosteriormente, a Ordem admitiu cavaleiros, além de monges, e depois tornou-se uma ordem militar. Os monges usavam uma cruz em sua veste e andavam com uma espada à cinta. Lutavam, quando necessário, embora se dedicassem principalmente a socorres os peregrinos doentes. Haviam recebido generosas doações de terras, nos paises do Ocidente. Também construíram e controlaram mosteiros fortificados, na Terra Santa. No século treze, quando a Síria, principalmente foi evacuada pelos cristãos, os Hospitalários mudaram sua sede para a ilha de Rodes e, mais tarde, para Malta. Esta ordem ainda existe e seu emblema é a Cruz de Malta.

A outra ordem tinha o nome de Cavaleiros Templários, ou “ Cavaleiros de Salomão’ Esta ordem não foi fundada para fins de auxilio terapêutico. Desde a sua formação, era uma ordem militar. Seus fundadores foram Hugues de Payes, um cavaleiro borgonhês, e Geoffroi de Saint-Omer, um cavaleiro francês.

No começo do século doze, assumiram eles a proteção dos peregrinos que se dirigiam a Jerusalém. Pretendiam realmente constituir uma escolta armada para esses grupos. Mais tarde , seis outros cavaleiros se uniram a eles. Esses nove cavaleiros se constituíram numa ‘ comunidade religiosa ‘ . Fizeram um juramento solene, ao Patriarca de Jerusalém, em que se comprometeram a guardar estradas publicas e abandonar o cavaleirismo terreno;seu juramento incluía um voto de castidade, abstinência e pobreza.

A missão dos Templários arrebatou a imaginação, não só dos homens livres de classes inferiores, mas, também de altas autoridades seculares e no seio da Igreja.

Balduino I Rei de Jerusalém cedeu parte do seu palácio a essa Ordem de monges-guerreiros. Esse palácio era adjacente à Mesquita de Al-Aksa, o chamado Templo de Salomão.

Devido a essa localização os componentes dessa Ordem passaram a ser chamados de “ Cavaleiros Templários [Cavaleiros do Templo].

A principio não usavam uniformes, nem qualquer hábito especial; usavam suas roupas costumeiras. Depois, passaram a usar uma veste branca com a dupla cruz vermelha. O primeiro ato que atraiu a atenção mundial para eles dói o seu esforço para redimir os cavaleiros excomungados.

Muitos cavaleiros haviam violado seu alto-código de cavaleirismo, em expedições à Terra Santa, e haviam sido excomungados pela Igreja. Os Templários procuraram redimi-los e introduzi-los em sua Ordem . Assumiram também a missão de ‘ impedir que trapaceiros, assassinos e perjuros e aventureiros, explorassem a Terra Santa”.

Um outro ato, logo no inicio, colocou os cavaleiros em atrito com o clero. Os Templários tentaram conseguir imunidade a excomunhão por párocos e bispos.

O dirigente principal da Ordem era denominado “ Mestre do Templo de Jerusalém’ . Mais tarde passou a Grande Mestre da Ordem em Chipre. A autoridade desse Grande Mestre era considerável; mas não era absoluta. Tinha ele de consultar a maioria dos Templários, em questões como, por exemplo, declarações de guerra. Por muitos anos os Templários mantiveram-se em guerra contra os ‘ infiéis ’ . Os chamados infiéis eram principalmente os sarracenos, muçulmanos devotos e ferozes na defesa da sua fé. Com freqüência os Templários, embora demonstrassem grande bravura, eram chacinados nessas campanhas. Como na batalha de 18 de outubro de 1244.

Como Ordem, os Templários se tornaram extremamente ricos. Eram-lhes legadas grandes propriedades, e a nobreza lhes fazia vultuosos donativos. Esta fortuna e seu conseqüente poder exerceram seu efeito sobre a Ordem. Às vezes os Templários ostentavam uma autoridade que chegava a constituir arrogância. Não obstante, continuaram eles a se aliar, por vários meios e particularmente como indivíduos, às famílias reinantes da Europa. Um Grande Mestre era padrinho de uma filha de Luiz IX”. “ Um outro era padrinho de um filho de Filipe IV”. Sua influencia se fez sentir em meio ao clero, pois, os Templários eram convocados a participar nos concílios privativos da Igreja, como o Concilio Lateranense de 1215.


BANQUEIROS E FINANCISTAS
Uma curiosa função, totalmente distinta de seu objetivo declarado, mas que era um sinal de poder, foi a de que os Templários se tornaram os grandes financistas e banqueiros da época. Consta que seu Templo era o centro do mercado financeiro mundial. Neste banco, papas e reis depositaram seu dinheiro. Os Templários ingressaram com êxito no mercado de cambio como o Oriente. Essa foi talvez a primeira das tais empresas na Europa. Não cobravam juros sobre empréstimos, pois, a agiotagem era proibida – declarada imoral pela Igreja e a Coroa. Alugueis superiores aos valores usuais para empréstimos sob hipoteca eram uma espécie de juro tolerada.

A historia registra que os Templários, atingiram o ápice de seu poder pouco antes da ruína. Com efeito, haviam eles se tornado uma ‘ Igreja dentro da Igreja’ . Isto acabou provocando uma desavença com o Papa Bonifácio VIII.
No dia 10de agosto de 1303, o rei se aliou ao chefe dos Templários contra o Papa.
Esse mesmo rei, Philippe acabou traindo os Templários. Havia ele sofrido um grande prejuízo financeiro e não conseguira recuperar seus recursos. Imaginou, então, que a supressão dos Cavaleiros Templários lhe seria vantajosa; assim, planejou unir todas as ordens, sob a sua autoridade.

Primeiro era necessário, pensava ele, desacreditar os Templários. Procurou realizar seu intento proclamando que a Ordem era ‘ herética e imoral ‘. Introduziu espiões na Ordem, os quais, segundo consta, cometeram perjúrio, revelando os ritos, juramentos e cerimônias, e declarando que os mesmos profanavam o cristianismo. O publico em geral sabia que os Templários tinham ritos secretos, mas não conheciam realmente sua verdadeira natureza. Havia rumores infundados de que esses ritos eram lascivos e blasfemos. Portanto, as declarações dos espiões perjuros do Rei Philippe pareceram confirmar os boatos.

O Papa não se demonstrou inclinado a acreditar naqueles relatos que lhe eram transmitidos através das tramas de Philippe e tomar providencias em função dos mesmos. Então, o Rei, astutamente apresentou suas inventadas queixas à Inquisição, que na época, prevalecia na França. A Inquisição tinha o poder de agir sem consultar o Papa. Em conseqüência, o Grande Inquisidor exigiu a prisão dos Templários. No dia 14 de setembro de 1307, Philippe determinou que os membros da Ordem dos Templários fossem capturados.

JACQUES DE MOLAY
A 6 de junho de 1306, Jacques de Molay, Grande Mestre dos Templários de Chipre consultava o Papa Clemente V sobre ‘ a perspectiva de uma nova Cruzada’ . Aproveitou o ensejo para denunciar as acusações que estavam sendo feitas contra os Templários, e partiu. Durante todo o tempo em que lhes eram imputadas as incriminações, os Templários não se defenderam. Seis meses depois, Jacques de Molay e sessenta de seus companheiros foram presos e forçados a confessar. Primeiro, os oficiais do rei os torturaram. Em seguida, entregraram-nos aos inquisidores da Igreja, para que fossem ainda mais torturados. Muitos desses Templários eram idosos e morreram em decorrência da desumana crueldade a eles inflingida por aqueles representantes da Igreja. As confissões eram falsas;haviam eles sido forçados a confessar atos de irreverência e heresia. O Grande Mestre foi obrigado a escrever uma carta em que admitia ter cometido atos contra a Igreja.

O Papa acabou sancionando os atos dos inquisidores e ordenou a prisão dos Templários em toda a cristandade. É possível que tenham se sentido inseguro quanto à medida que tomara, pois, mais tarde, determinou uma nova Inquisição, para reconsiderar as acusações contra os Templários. Acreditando que teriam um julgamento justo, os Templários abjuraram as suas confissões anteriores, que tinham sido feitas sob coação. Sofreram, porém, amarga decepção. A retratação de suas confissões era passível de punição com morte na fogueira, castigo que muitos foram obrigados a sofrer.

No dia 13 de março de 1314, Jacques de Molay, o Grande Mestre, e um outro Templário, foram levados a um cadafalso ‘ erguido em frente a Notre Dame’ . Deviam então confessar sua culpa, ante os legados papais e o povo. Ao invés disto, abjuraram suas confissões e tentaram defender os Templários diante da grande multidão que assistia ao processo. Proclamaram a inocência da Ordem. Foi imediatamente ordenado, então, que eles fossem queimados. E assim foram executados, com a aprovação da Igreja Romana.

QUE HAVIAM OS TEMPLÁRIOS REALIZADO?
Muitos lhes atribuíram o impedimento da propagação do poder islâmico na Europa. Talvez eles tenham realmente contribuído para isto, mas é discutível a questão de que a propagação da cultura islâmica na Europa teria sido prejudicial. Geralmente admitem os historiadores que a civilização teria avançado séculos se tivesse sido permitido que a sabedoria dos mulçumanos se propagasse pela Europa, naquela época.
Foram necessário vários séculos de progresso do conhecimento, na Europa, para igualar e superar o conhecimento que os muçulmanos então possuíam. Os povos islâmicos era os preservadores do conhecimento original dos gregos e dos egípcios.

Talvez a maior realização dos Templários tenha sido o estimulo à virtude entre os bravos e fortes. Muitos cavaleiros haviam adquirido conhecimento nos paises orientais, durante as Cruzadas. Tinham descoberto que havia no Oriente uma civilização superior à que existia na mais rude sociedade do Ocidente cristão.

Muitos Templários foram secretamente iniciados nas Escolas de mistério do Oriente, onde lhes foi revelada a sabedoria do passado. Embora constituíssem uma Ordem cristã, os Templários eram independentes da Igreja, no sentido de que esta não dominava o seu pensamento. Muitos se tornaram Templários, porque, dentro da esfera de influencia e proteção da Ordem, podiam estudar e desenvolver um conhecimento que não ousavam, como indivíduos, estudar e desenvolver fora dessa esfera. As pessoas de mentalidade liberal tinha na Ordem dos Cavaleiros Templários uma espécie de refugio. Foram estes estudos, a investigação intelectual e os rituais místicos que provavelmente deram credito ao boato de que os Templários eram hereges.


Muitos cavaleiros tiveram a coragem de investigar os campos de conhecimento que suas aventuras nos paises orientais haviam possibilitado. E esse conhecimento ultrapassava as limitadas fronteiras de indagação da Igreja.


Fonte: Ralph M. Lewis F.R.C [[1981]]